Fábricas: cerveja, óleo de laranja, tecelagem e até fogos de artifícios, conheça Cordeirópolis a partir de 1822

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O Portal JE10 iniciou em 2007 e em suas linhas editoriais trouxe muitas histórias e trajetórias de pessoas que ajudaram no desenvolvimento deste laborioso município. Em janeiro de 2008 trouxe os contos do senhor Antonio Reinaldo Meneghin e da dona Nice Meneghin, (ambos in-memoriam) contando fatos que vivenciaram e que muitos não conheciam e até hoje estão guardados, e também do empresário Teleforo Sanches (inmemorian) no ramo de tecelagem. O Portal JE10 registrou estes momentos em 2008 com os cordeiropolenses e para você leitor que ainda não conhece viaje nesta reportagem de “Retratos do Passado”. Uma boa leitura a todos.

Cordeirópolis histórias de desenvolvimento

Loja Barbosa (3)

 

O nascimento de Cordeirópolis, o antigo “Cordeiro” data oficial do século passado traz muitas histórias e versões sobre sua originalidade de fundação. Mas uma data é oficial e verdadeira- a sua emancipação – política administrativa que foi reconhecida pela Lei Estadual de n? 233 de 24 de dezembro de 1948, embora todos esses anos sejam comemorados no dia 13 de junho, dia do padroeiro Santo Antonio. Mas as festividades em comemoração ao padroeiro também tiveram outras datas, antes de sua emancipação.

 

De acordo com o livro “Santo Antonio de Cordeirópolis” de autoria do padre Mário Zocchio Pasotto (inmemorian) que esteve frente à paróquia do município de 1955 a 1976, as comemorações variavam de datas, ora foi comemorada em outubro no ano de 1930 com a distribuição do primeiro pão de Santo Antonio, como também em outubro de 1934, mas os meses que mais se comemoraram o padroeiro foram nos meses de setembro e somente em 1954 pelo padre Nilo Romano Corsi se instituiu a data correta do padroeiro.

 

Por essas particularidades de histórias e desenvolvimento do município que o “Expresso Regional” trará “Retratos do Passado”. Em cada edição trarão histórias do seu desenvolvimento, as indústrias que movimentaram a economia do passado e trazer um pouco das lembranças que ajudaram a movimentar este pequeno município que se intitulou como Cordeirópolis.

Vista aérea de Cordeirópolis em 1970

Vista aérea de Cordeirópolis em 1970

Cordeiro 1822

Colonizadores e proprietários de engenhos, entre eles de propriedade do senador Vergueiro da Fazenda Ibicaba, já habitavam nas terras de “Cordeiro” no início do século XIX, segundo documentos históricos, onde foram registrados por um censo realizado na antiga Vila Nova da Constituição, atualmente conhecida como a cidade de Piracicaba no ano de 1822.

 

Mas, diante da versão do senhor Antonio Reinaldo Meneghin (inmemorian), retratou em seus 84 anos de idade quando realizada a reportagem em janeiro de 2008, a história do município com convicção no que estava dizendo. Com um semblante tranqüilo, porém meio triste devido à perda de sua esposa Maria Angelina Ambrósio Meneghin (88), o qual perdurou uma vida matrimonial por 64 anos, conta a versão que seus bisavô e avô contavam da promissora cidade de Cordeirópolis.

Senhor Meneghin durante entrevista em 2008

Senhor Meneghin durante entrevista em 2008

Embora hoje em dia se aceite que o nome da cidade seja uma herança da antiga “Fazenda Cordeiro”, para seu Meneghin, a cidade surgiu antes dos anos de 1800.

 

“Meu avô sempre contava a história de que em Cordeiro passou os Bandeirantes e o governador da época mandava as pessoas viajarem 47 léguas lado Norte do Estado e eles vinham parar aqui e montavam uma fábrica de cordas”, disse sorrindo. A fábrica que o aposentado se refere diz que estava localizada onde hoje é o posto de gasolina da Avenida Wilson Diório, “No local havia ainda uma roda de água para enrolar os fios”, acrescentou.

 

Fábrica de cerveja em 1890

Cordeirópolis também já foi sede de uma fábrica de cerveja. “A fábrica iniciava na esquina da rua Carlos Gomes, mais precisamente da “Farmácia do Sérgio” até um pouco antes do prédio da casa do Guina – (esquina com a rua Toledo Barros), pois ali tinha a casa do Pagoto”, contou. Por volta de 1940 foi montado uma cooperativa de consumo, onde os associados podiam comprar gêneros alimentícios mais em conta.

 

Fábrica de fogos

E não era somente uma e sim quatro fábricas de fogos que existiam a todo vapor em Cordeirópolis em 1918, com o término das atividades por volta de 1940. De acordo com o aposentado, uma estava instalada nas adjacências do prédio da atual Escola Jamil Abrahão Saad (Vila Santo Antonio) e acabou se incendiando mais tarde. Já a segunda na rua José Moreira (atual clínica veterinária Pet Vet). “Na rua Guilherme Krauter em frente ao prédio da telefônica estava a terceira, que era do Fonseca e a quarta fábrica é o atual prédio da Ramenzoni”.

Seu Meneghin detalhou ainda que na mesma época duas famílias, Gaio e Morando queriam montar uma fábrica de farinha e emprestaram 17 contos de Réis do senhor João Bertanha e não fizeram a fábrica, ficaram somente no aterro, “eles fizeram um aterro, mas nunca saiu das promessas. Era pra ser bem no começo do que é hoje o Jardim Progresso”.

 

Criação de bicho da seda

Quando seu Teleforo Sanches chegou em Cordeirópolis por volta de 1926, as famílias já praticavam a criação do bicho da seda. “Cordeiro tinha 500 m² de rua. Era cercada de grandes fazendas com colônias de casas, tinha mais pessoas na zona rural do que aqui na cidade”.

As grandes plantações e cultivos de amoreiras que serviam como alimento ao bicho da seda eram extensas. Iam desde o início da avenida até o campo do Brasil, além dos grandes barracões que se criavam o bicho. Ao todo eram quatro barracões do senhor Matarazzo em meio à extensão da avenida Presidente Vargas entre os pés das amoreiras.

“Onde hoje é a Escola Jamil, era do senhor Jafet, com dois barracões de bicho e plantações de amoreiras”.

 

A mão de obra ficava por conta das moças que davam aos bichinhos somente as folhas das amoreiras e um detalhe, não podia estar molhada, mas tinham que estar bem verdinha. De acordo Flávio Rodrigues de Oliveira, (fábrica de refresco), boa parte do centro da cidade fazia parte do “Centro de Sericicultura”, local que faziam estudos dos casulos do bicho da seda.

 

Primeira fábrica de tecelagem em 1938 – a primeira fábrica de fiação de seda como era chamada na época surge. De acordo com informações de Teleforo Sanches, a “Fios de Seda Ltda” de Francisco Orlando Stocco, tecia fios de raion ( feitos a base de celulose). Em 1944, Guilherme Krauter compra a empresa e passa a se denominar “Torção Cordeiro”, mas com fabricação de fios de seda pura. “Na época devido a questão da guerra o mercado pedia muitos fios de seda, principalmente para a confecção de pára-quedas, foi o auge de muita procura.”

“Chegou época de ter três fábricas no ramo, a do Jaffet que montou um prédio na rua Viscondi do Rio Branco, a Torção Cordeiro e a Sedatex com a produção de tecido”.

 

Emílio Rabai compra a fábrica de Jaffet e transfere a produção no final da avenida Presidente Vargas, mas fica por pouco tempo e logo fecham as portas.

Torção Sanches

Teleforo Sanches inicia sua própria fabricação em 1951, mas continua atuando na Torção Cordeiro. “Um dos proprietários morava em São Paulo e pediu para eu não sair da empresa e dar continuidade aos trabalhos que eu já vinha exercendo”, frisou Sanches e ainda explica o motivo de montar sua própria empresa. “Montei a torção para suprir o mercado de raion”. Torção Sanches atuou no ramo da tecelagem até 1997, “eu só parei por causa da idade, não tinha como ficar correndo atrás de tanto trabalho.

 

Geração de mão de obra feminina

Muitos empregos eram gerados na época das tecelagens, dando muita oportunidade às donas de casa. A primeira funcionária da fábrica Fios de Seda, foi a esposa do aposentado Meneghin, Maria Angelina que tinha cerca de 14 anos na época. “Essa indústria trouxe muito emprego para as mulheres, acredito que eram mais de 250 mulheres trabalhando em três turnos”.

“Eu trabalhei na Sedatex no ano de 54 e a movimentação de mulheres atuando em tecelagem era muito grande”, relatou Nícea Meneghin de Oliveira, com 70 anos na época (inmemorian). Filha de mãe portuguesa e o pai italiano, Nícea veio morar em Cordeirópolis em 1945 e recordou que nesta época o país estava passando por um racionamento de trigo e óleo. “Naquele tempo minha mãe conseguiu um selinho de identificação e para poder comprar um pouco tinha que apresentar”.

Nice Meneghin e sua irmã no dia da reportagem em 2008

Nice Meneghin e sua irmã no dia da reportagem em 2008

 

Primeira cerâmica de telha em 1935

Surge a primeira cerâmica de telha na cidade de propriedade de Manoel Beraldo, pai de Luiz Beraldo, que seria o futuro prefeito de Cordeirópolis de 1965 a 1969, juntamente com outro sócio de nome Otero da cidade de Araras. Segundo seu Meneghin a fábrica estava localizada a rua Guilherme Krauter, onde atualmente é o prédio da Telefônica. “A fábrica pegava o quarteirão inteiro e ia até onde é o depósito Santa Rosa e na esquina onde hoje tem o prédio do Cartório Eleitoral tinha uma máquina de beneficiar arroz e a casa dele ficava do lado”, explicou. Depois surgiram outras indústrias cerâmicas, a Carmelo Fior e a Floresta no bairro de Cascalho.

 

Fábrica de óleo de laranja em 1939

Até1943 funcionou três fábricas de óleo de laranja, sendo uma de Humberto Levy e Jamil Abrahão Saad, instalada na esquina entre rua Treze de Maio e José Moreira, atual Supermercado Quitandão, o qual anos mais tarde passou a ser as instalações da fábrica de tecelagem “Sedatex”, o qual possui seu processo de fabricação até hoje, mas em outro endereço. Já a segunda fábrica de óleo era dos sócios José Ambrósio, Alfredo Poli e Hubner e a terceira onde hoje é o prédio da Ramenzoni dos senhores Carlos Hespanhol, Benedito Ferres e Bento Lordello.

Em 1941 surge mais uma cerâmica – A Cerâmica Carmelo Fior surge com sua fabricação de telhas e tijolos de propriedade de Carmelo Fior. Com sua morte em 1946 a esposa toma a frente da empresa até 1967 quando vende a fábrica e sai do ramo de cerâmica. “Nós ficamos 23 anos fora do mercado e atuamos em um posto de gasolina, o “Barreirense” de 1943 surgiram as cerâmicas Carmelo Fior e Floresta localizada no bairro de Cascalho.

 

Fábrica de papelão é inaugurada

No livro do padre Mário Z. Pasotto é mencionado a inauguração de uma fábrica de papelão “Gabriel Saad” no dia 8 de dezembro, onde o padre Santo Armelin benzeu o prédio.

 

Construtora em 1947

Em Cordeirópolis existiu também a “Construtora Caci”, cujo escritório estava localizado na época ao lado da fiação Jafet, hoje está instalada a Igreja do Evangelho Quadrangular. “Muitas casas foram construídas pela Construtora Caci e existem até hoje”.

 

Empresa Papirus anos 50

A empresa Papirus chegou em Cordeirópolis e comprou a empresa que já estava desativada na cidade e junto com ela veio o desenvolvimento, crescimento e mais emprego.

O aposentado conta que em 1957, a empresa sofreu um incêndio, mas continua com seu processo fabril. Anos mais tarde a empresa passa a se chamar Indústrias de Papel R.Ramenzoni e desde então aumenta sua capacidade de produção se tornando uma empresa relevante ao município. “Nesta época que pegou fogo eu estava fazendo 32 casas na avenida”, lembrou o aposentado de sua época de trabalho como pedreiro.

Incêndio Papirus em 1957

Incêndio Papirus em 1957

Incêndio Papirus em 1957

Incêndio Papirus em 1957

 

Indústria de “Refresco”

Uma indústria de “refresco” como era chamada na época, de propriedade de Miguel Rodrigues de Oliveira também fez parte do ciclo industrial da cidade no passado. Sua fabricação de 1952 a 1962 estava instalada na “Rua do Comércio” como era conhecida na época, hoje Toledo Barros esquina com Sete de Setembro.

groselha e quinado, tudo com trabalho artesanal, onde era engarrafado em tipos de “caçulinha”. Vendíamos muito bem em toda a região, inclusive até pra Goiás e no comecinho de Brasília. Da região todas as fábricas fecharam só restou a de Analândia”, explicou o filho do empresário, Flávio Rodrigues de Oliveira.

Mário Oliveira trabalhou com seu pai Miguel na fábrica de refresco

Mário Oliveira trabalhou com seu pai Miguel na fábrica de refresco

 

Casarão Fratini

O “Casarão Fratini” como é conhecido popularmente por ter sido de propriedade da família Fratini é um patrimônio histórico da cidade de Cordeirópolis.

Construído no século XIX , o casarão possui cerca de 20 cômodos com uma construção de 750 m² e estava se perdendo entre as ruínas quando o empresário Vitor Levy comprou a propriedade e a restaurou.

“Procurei no máximo preservar a forma do prédio e deixar mais próximo possível quando foi construído”, relatou Levy. Sua pretensão é fazer do local, um ponto para eventos culturais, mas ainda está sob planejamento. No local está acontecendo as reuniões do Rotary Club de Cordeirópolis.

Casarão Fratini (Atual Casarão Levy)

Casarão Fratini (Atual Casarão Levy)

Casarão durante reforma

Casarão durante reforma

Casarão registrado por Stéphane Palla em junho de 2020

Casarão registrado por Stéphane Palla em junho de 2020

Casarão pelo registro do fotógrafo Leandro França em julho de 2018

Casarão pelo registro do fotógrafo Leandro França em julho de 2018

 

Abaixo a página do Jornal Expresso que circulou em janeiro de 2008.

Retratos Passado

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