Cascalho – palco de grandes espetáculos, bandas e conjuntos musicais

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inauguração

O Jornal Expresso em março de 2008 trouxe uma reportagem retratando as bandas e conjuntos musicais de Cascalho. Época de auge na cultura musical e que foi relatada por moradores locais. Portanto, pra ficar registrado na mídia digital, trazemos novamente em “Retratos do Passado”. Boa leitura.

 

Loja Barbosa (3)

Antes da fundação do município de Cordeirópolis, o território era dividido em grandes propriedades rurais, portanto, no Bairro de Cascalho havia mais movimento e moradores. De acordo com moradores do local, Cascalho era pra ser o centro urbano da cidade, devido à grande concentração de imigrantes.

“ A primeira reforma agrária do Brasil aconteceu em Cascalho, no entanto, que aqui no meio do bairro, as ruas foram divididas; para virar a cidade. A estrada de ferro ia passar por aqui, mas acabou ficando em Cordeiro”, explicou o morador Antonio Paiola, “Nego”como é conhecido.

As informações do movimento do bairro também foram confirmadas pelo casal Isabel e Afrânio Paiola.

“Aqui no bairro tinha uma fábrica de cerveja, dois armazéns, farmácia, padaria, dentista e até um conjunto musical, o “Jaz de Cascalho” que tocava nos bailes que aconteciam nas fazendas”, depõe Isabel.

Além de toda essa movimentação, as famílias industrializavam alguns produtos para consumo próprio. A família de João Peruchi da Fazenda Santa Maria, por exemplo, fazia vinho, sendo que as uvas eram compradas com mais moradores e vinham de trem de Jundiaí, e até vinho de laranja a família de Paulo Joaquim Bertanha fabricava.

“Eu ajudei muito a fazer açucar mascavo para os gastos de casa, era tudo fabricado artesanalmente”, completou Afrânio Paiola. Engenhos de pinga existiam três, sendo um no Engenho Velho, de Vitório Della Coletta, o outro de Emílio Bassinello, na Fazenda Itaporanga e de José Zorzo, próximo a Madeireira Zorzo.

“Quanto que eu ajudei em casa a virar “cambito” (torcer) o fumo de corda, pois isso também era fabricado”, lembrou Afrânio Paiola. Além de todas essas fábricas existiram também mais duas de macarrão, mas não obteve êxito, já que as mulheres da época faziam suas próprias massas em casa.

Cultura
O bairro não ficou conhecido somente pelo seu desenvolvimento de pequenas fábricas , comércio e pelo famoso padre exorcista Luís Stefanello (1878-1964). E sim pela animação das bandas e apresentações de peças de teatro e até conjunto musical. Na época do padre Stefanello diversas peças eram apresentadas anualmente.

“O Jacob Tomazella dirigia o teatro e o Moisés Gomes e o Angelo Breda era o ponto (contra-regra). Eles ficavam em baixo do palco e iam passando as falas para os atores. Antes de começar a peça também tinham os comediantes que eram o Ermindo Peruchi e o Jacob Tomazella”, contou Nego Paiola.

Bandas- Cascalho teve três bandas que marcaram época de grandes apresentações no bairro. A primeira foi com o apoio do padre Stefanello e tinha como maestro José Della Coletta. A segunda iniciou em 1930, com José Paiola Filho regendo a banda por 21 anos. Já a terceira dirigida por José Minatel, o qual iniciou em 1954 e foi até por volta de 1957.

Conjunto Musical – de acordo com a família Paiola o “Jaz de Cascalho” contava com pandero, cavaquinho, saxofone, onde animavam muitas noites de bailes nas fazendas. Orlando Paiola e Antonio Orzari eram os “garganta de ouro de Cascalho”.

“Esse conjunto ficou de 1949 a 1952 mais ou menos e os cantores cantavam que era uma maravilha”, declarou Isabel Paiola.

Esporte- a prática de esportes também fazia parte do roteiro das famílias e dois times de futebol jogavam na época, o Citrus F.C. que parou de jogar por volta do ano de 1961 e o Cascalho Futebol Clube. Campo de bocha chegou a ter quatro. “ Na época tinham dois campos de bocha no Rosolen e dois na sede”, explicou Nego Paiola.

Plantação-
Como o bairro era constituído de grandes propriedades rurais, o cultivo de vários tipos de plantações era predominante.

“A criação de bicho da seda tinha muito aqui também, nós chegamos a criar muito e vendíamos depois pra fábrica em Cordeiro”, explicou Isabel Paiola.

Local onde eram encenadas as peças teatrais com o padre Stefanello. Segundo depoimentos de moradores do bairro, o local alojava cerca de 400 lugares para assistir os teatros. Hoje o local é um campo de bocha.

Inauguração do prédio do “Grupo Escolar de Cascalho” em 11/02/1968. Hoje tem o nome de Escola Municipal Jorge Fernandes.

Veja a edição impressa de março de 2008, Clique aqui

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